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IA deixa de ser aposta e passa a influenciar a gestão de pessoas nas empresas brasileiras

Estudo da Jitterbit revela avanço acelerado da automação inteligente e coloca RH diante do desafio de preparar pessoas, lideranças e culturas para a nova era do trabalho

A inteligência artificial já ultrapassou a fase dos testes e começa a ocupar um espaço cada vez mais estratégico dentro das organizações. Se até pouco tempo a tecnologia era vista como uma promessa de transformação, agora ela passa a influenciar diretamente a produtividade, os modelos de gestão e as competências exigidas dos profissionais.

É o que mostra o relatório “Benchmark de Automação com IA no Brasil 2026”, da Jitterbit, que aponta uma aceleração significativa dos investimentos em automação inteligente e no uso de agentes de IA nas empresas. Os dados reforçam uma tendência que vem impactando não apenas áreas de tecnologia, mas também Recursos Humanos, desenvolvimento organizacional e liderança.

Para os profissionais de RH, a mensagem é clara: a transformação digital deixou de ser um tema exclusivamente tecnológico e passou a ser, sobretudo, uma questão de pessoas.

IA avança e muda a forma de trabalhar

O levantamento mostra que as organizações estão ampliando rapidamente o uso de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas, tomar decisões dentro de parâmetros definidos e automatizar fluxos de trabalho. Segundo a pesquisa, o uso desses chamados “trabalhadores de IA” cresceu 53% em relação ao período anterior.

Ao mesmo tempo, 78% dos projetos de automação com inteligência artificial já entregam valor moderado ou alto para os negócios, contrariando previsões pessimistas que apontavam elevadas taxas de fracasso na adoção da tecnologia. Apenas 2,5% das organizações relataram retorno negativo ou insucesso nos projetos implementados.

Para o RH, esses números indicam que a IA está deixando de ser um diferencial competitivo para se tornar uma competência organizacional essencial.

O novo desafio do RH: preparar pessoas para trabalhar com IA

Se as empresas estão investindo em automação, a pergunta que surge naturalmente é: o que acontece com os profissionais?

A resposta apresentada pelo mercado é menos sobre substituição e mais sobre transformação das funções. À medida que atividades repetitivas passam a ser automatizadas, cresce a demanda por competências humanas difíceis de replicar por algoritmos, como pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional, liderança, comunicação e capacidade de tomada de decisão.

Nesse cenário, a área de Recursos Humanos assume um papel central na preparação da força de trabalho.

Mais do que contratar talentos com conhecimentos em IA, será necessário desenvolver programas de requalificação profissional, criar trilhas de aprendizagem contínua e estimular uma cultura de adaptação constante.

Especialistas apontam que as empresas mais bem-sucedidas serão aquelas capazes de combinar tecnologia avançada com habilidades humanas de alto valor agregado.

Governança e confiança entram na pauta das lideranças

Outro dado relevante do estudo mostra que a principal preocupação das empresas ao avaliar novas ferramentas de IA não é mais o orçamento, mas a responsabilidade sobre o uso da tecnologia.

A chamada “accountability da IA” aparece como o principal critério para 47% das organizações e para 53% das grandes empresas. Isso significa que as lideranças estão cada vez mais preocupadas com transparência, segurança, ética e governança dos sistemas automatizados.

Para o RH, essa mudança amplia sua responsabilidade estratégica.

Temas como ética digital, uso responsável da inteligência artificial, proteção de dados dos colaboradores, combate a vieses algorítmicos e governança corporativa passam a integrar a agenda da gestão de pessoas.

Em outras palavras, a discussão não é apenas sobre implementar IA, mas sobre como implementá-la de forma segura e sustentável.

A corrida pela produtividade pode aumentar a pressão sobre os profissionais

Embora os ganhos de eficiência sejam evidentes, especialistas alertam para um risco crescente: a expectativa de produtividade ilimitada.

À medida que a IA acelera processos e reduz o tempo gasto em tarefas operacionais, muitas organizações tendem a preencher rapidamente esse tempo com novas demandas.

O desafio para o RH será equilibrar ganhos de produtividade com bem-estar, saúde mental e qualidade de vida no trabalho.

A experiência recente com transformação digital mostrou que tecnologia, por si só, não resolve problemas de engajamento ou sobrecarga. Pelo contrário: quando mal implementada, pode ampliar sentimentos de insegurança, ansiedade e pressão por resultados.

Por isso, a adoção da IA precisará caminhar ao lado de políticas de gestão humanizada e desenvolvimento das lideranças.

O futuro do trabalho já começou

O relatório da Jitterbit também revela que mais de 80% das organizações já possuem entre um e 50 agentes de IA em operação, enquanto muitas empresas planejam ampliar significativamente seus investimentos em automação ao longo dos próximos 12 meses.

O movimento indica que a inteligência artificial não é mais uma tendência futura. Ela já está redefinindo funções, processos e modelos organizacionais.

Para os profissionais de Recursos Humanos, a grande oportunidade está em assumir o protagonismo dessa transformação.

O RH que compreender a IA apenas como uma ferramenta tecnológica corre o risco de ficar para trás. Já aquele que enxergar a tecnologia como uma força capaz de transformar competências, cultura e relações de trabalho terá papel decisivo na construção das organizações do futuro.

Afinal, em um cenário cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva continuará sendo profundamente humana.

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